Reconhecimento facial em rede social

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      Reconhecimento facial em rede social verifica amigos e transforma rosto em dados

     É uma situação comum: colocar uma fotografia com um grupo de amigos no Facebook. Quando a publica, o site pergunta se deseja marcar as pessoas na imagem. Vai além: a rede social sugere o nome dos seus amigos. «Deseja marcar pessoa x na foto?», pergunta. A sugestão, que não é aleatória, tem a ver com um software de reconhecimento facial e acerta que «você é você» em grande parte dos casos.

     Programas de reconhecimento facial já estão presentes em diversas redes sociais que trabalham com imagens. De acordo com especialistas, a técnica utilizada por esses softwares transforma as fotos em dados computacionais, que são analisados e comparados electronicamente.

Basicamente, o processo de reconhecimento facial é realizado em três etapas. Primeiro, o programa recolhe amostras de imagens da face de todos os amigos da pessoa que publicou a foto.

Depois, o software utiliza técnicas de visão computacional para extrair características das fotos e transformá-las em dados. Diversas informações são recolhidas, como posição do rosto, tamanho da ponta do nariz, contraste de cores e brilho facial.

O último passo é comparar as informações da foto publicada com outras que o sistema já possui no banco de dados. Entre todos os seus amigos na rede social, o programa procura fotos de pessoas semelhantes àquela que acabou de publicar.

O Facebook acerta boa parte das suas sugestões quando o assunto é reconhecimento facial. Não há, entretanto, 100% de acertos. Diversas características das fotos ou dos fotografados podem complicar a análise do programa.
«Quando há imagens de pessoas com o rosto coberto, o software tem mais dificuldade de comparar», conta Paulo Sérgio Rodrigues, especialista em visão computacional e professor de engenharia eléctrica da FEI (Fundação Educacional Inaciana). «Óculos, chapéus e até mesmo barba podem confundir o programa. Tapam parte do rosto e inserem novas informações.»

Ser marcado em fotografias antigas, utilizar fotos de desenhos animados e de personagens fictícios também contribuem para as falhas. Para tentar minimizar o problema, é possível «treinar» o software da rede social. Basta que o utilizador marque correctamente os amigos nas fotografias postadas. O site terá mais informações para recolher e passará a contar com uma base maior de dados comparativos.

Recentemente, o Facebook divulgou que está a trabalhar num software de reconhecimento facial chamado DeepFace, ainda não presente no site. De acordo com a empresa, este é tão bom quanto o desempenho humano, com um índice de 97,25% de acertos. Isso seria possível porque, entre outras facetas, o DeepFace corrigiria a posição dos rostos e também os mapearia em 3D, para aumentar a precisão.

Isso seria, entretanto, somente o início. De acordo com Ricardo Rodrigues, professor de tecnologia da Universidade Anhembi Morumbi, o reconhecimento facial pode abrir portas e aumentar a interface entre máquina e humanos. «No futuro, ao reconhecer alguém, computadores poderão interagir de forma personalizada com esse utilizador. A marcação em fotos é apenas o começo.»  

 

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